LETRAS

CD  “MARIA RITA”  -  Setembro de 2003

1 – A Festa

(Milton Nascimento)

Já falei tantas vezes
Do verde nos teus olhos
Todos os sentimentos me tocam a alma
Alegria ou tristeza
Espalhando no campo, no canto, no gesto
No sonho, na vida
Mas agora é o balanço
Essa dança nos toma
Esse som nos abraça, meu amor

O teu corpo moreno
Vai abrindo caminhos
Acelera meu peito,
Nem acredito no sonho que vejo
E seguimos dançando
Um balanço malandro
E tudo rodando
Parece que o mundo foi feito pra nós
Nesse som que nos toca

Me abraça, me aperta
Me prende em tuas pernas
Me prende, me força, me roda, me encanta
Me enfeita num beijo
(2 vezes)

Pôr-do-sol e aurora
Norte, sul, leste, oeste
Lua, nuvens, estrelas
E a banda toca
Parece magia
E é pura beleza
E essa música sente
E parece que a gente
Se enrola, corrente
E tão de repente você tem a mim…

2 – Agora Só Falta Você

(Rita Lee / Luis Sérgio Carlini)

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê

E fui andando sem pensar em mudar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você!
Agora só falta você!
Agora só falta …

3 -  Menininha do Portão

(Nonato Buzar / PulinhoTapajós)

Menininha sai do portão
Vem também brincar
Vem pra roda
Me dê a mão
Traz o seu olhar
Vou girando na roda
Vou cantando à sua espera
Quem me dera, um dia
Ter seus olhos,
Cor da primavera

Todo o dia no seu portão
Vejo o seu olhar
Bate forte meu coração
Mas não sei contar
E eu pego a viola
Faço um verso feito um trovador
Quem sabe, então
Você me dê…
Me dê o seu amor

4 -  Não Vale a Pena

(Jean Garfunkel / Paulo Garfunkel)

Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar

Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente cá o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena…

5 – Dos Gardenias

(Isolina Carrillo)

Dos gardenias para ti
Com ellas quiero decir
Te quiero, te adoro, mi vida
Ponte toda tu atención
Porque son tu corazón y el mio
Dos gardenias para ti
Que tendrán todo el calor de un beso
Desos besos que te di
Y que jamás encontrarás
En el calor de otro querer

A tu lado viverán y se hablarán
Como quando estás conmigo
Y hasta crerás que te dirán
Te quiero
Pero si un atardecer
Las gardenias de mi amor se mueven
Es porque hán adivinado
Que tu amor me ha traicionado
Porque existe outro querer

6 -  Cara Valente

(Marcelo Camelo)

Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir
Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração, olha lá
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo cara valente
Mas veja só
A gente sabe
Esse humor é coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
Que a gente não cai, não

Ê! Ê!
Ele não é de nada,
Oi á !!!
Essa cara amarrada
E só
Um jeito de viver na pior
Ê! Ê!
Ele não é de nada
Oi á !!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver nesse mundo de mágoas

7 -  Santa Chuva

(Marcelo Camelo)

(Ele)
Vai chover, de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer
Você pra mim
Vem cá que dá me dando
Uma vontade de chorar
Não faz assim,
Não vá prá lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade

(Ela)
Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor é que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade

8 – Menina da Lua

(Renato Mota)

Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d’água
Menina da lua
Quero te ver clara
Clareando a noite densa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura
Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar

9 -  Encontros e Despedidas

(Milton Nascimento / Fernando Brant)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir

São os dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

10 -  Pagu

(Rita Lee / Zélia Duncan)

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
(2 vezes)

Rá tátá…
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima

11 -  Lavadeira do Rio

(Lenine / Braulio Tavares)

A lavadeira do rio
Muito lençol pra lavar
Fica faltando uma saia
Quando o sabão se acabar
Mas corra pra beira da praia
Veja a espuma brilhar

Ouça o barulho bravio
Das ondas que batem
Na beira do mar
(2 vezes)

Ê ô! O vento soprou!
Ê ô! A folha caiu!
Ê ô! Cadê meu amor?
Que a noite chegou fazendo frio
( 2 Vezes)

Ô Rita, tu sai da janela
Deixa esse moço passar
Quem não é rica e é bela
Não pode se descuidar
Mas, Rita, tu sai da janela
Que as moça desse lugar

Nem se demora donzela
Nem se destina a casar
(2 vezes)

12 -  Veja Bem Meu Bem

(Marcelo Camelo)

Veja bem meu bem
Sinto te informar
Que arranjei alguém
Pra me confortar
Este alguém está
Quando você sai
E eu só posso crer
Pois sem ter você
Nestes braços tais

Veja bem amor
Onde está você
Somos no papel
Mas não no viver
Viajar sem mim
Me deixar assim
Tive que arranjar
Alguém pra passar
Os dias ruins

Enquanto isso navegando eu vou
Sem paz
Sem ter um porto
Quase morto, sem um cais
E eu nunca vou te esquecer, amor
Mas a solidão deixa o coração
Neste leva-e-traz

Veja bem além
Destes fatos vis
Saiba: traições
São bem mais sutis
Se eu te troquei
Não foi por maldade
Amor, veja bem
Arranjei alguém
Chamado saudade

13 -  Cupido

(Claudio Lins)

Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi… pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem tirar os pés do chão
Sem música pra acompanhar

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu

Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi… pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você e eu

Quando você me viu…

Faixas Interativas:

VERO

( Natan Marques / Murilo Antunes)

O que se vê é vero
o teu sabor, eu quero.
Mas nem só beleza eu vi.
O que se vê é vero
o teu sabor, eu quero.
Mas nem só beleza eu vi.

Vi cidades degradadas
Pessoas desamparadas
Nas grades da solidão.
Fogo nos campos, nas matas
Queima de arquivo nas praças
Chovia nas ruas do meu coração.

O que se vê é vero
O teu sabor, eu quero.
Mas nem só beleza eu vi.

O que se vê é vero,
o teu sabor eu quero.
Mas nem só beleza eu vi.

Vi cidades turbulentas
Chacinas sanguinolentas
Pensei que morava nas terras do mal.
Choro dos filhos, maldades
Fora dos trilhos, cidades
Pensei que sonhava
E era tudo real.

O que se vê é vero
O teu sabor eu quero
E a tua beleza eu vi.

O que se vê é vero
O teu sabor eu quero
E a tua beleza eu vi.

Vi uma estrela luzindo
A minha porta bateu
Querendo me namorar
Lua cheia clareava
Imaginei que sonhava
E era tudo real.

Ninguém mais coça bicho – de- pé
Nem ninguém caça mais arrasta- pé
Vida é assim, é o que é.

Ninguem mais coça bicho de pé.
Nem ninguém mais caça arrasta pé.
Vida é assim
É o que é…

ESTRELA, ESTRELA

(Vitor Ramil)

Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer
Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos
E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção

CD “SEGUNDO”  -  Setembro de 2005

1 -  Caminho das águas

(Rodrigo Maranhão)

leva no teu bumbar, me leva
leva que quero ver meu pai
caminho bordado a fé
caminho das águas
me leva que quero ver meu pai

a barca segue seu rumo, lenta
como quem já não quer mais chegar
como quem se acostumou no canto das águas
como quem já não quer mais voltar

os olhos da morena bonita
agüenta, que to chegando já
Na roda cantar com ‘ocê
ouvir a zabumba
me leva que quero ver meu pai.

2 -  Recado

(Rodrigo Maranhão)

com muito dinheiro e carro do ano
modelo importado
tu tá comentado
não tem mais sossego
e da roda de samba já se separou
vive cercado, parece um et
e sai todo dia em revista e tv
pra que tanta banca na terra da santa
como você vê.
a feira tá pouco
o bicho tá solto
tem muito estrangeiro, muito bafafá
o dia tá feio, a lua não veio
o dinheiro não dá (não dá)

mas tem muito bamba fazendo refrão
tem muito samba na concentração
muita riqueza que você não tem mais não…

e tem muita água no nosso feijão
muita mandinga na minha oração
muita riqueza que você não tem mais não

tem muita maria e muito joão
Tem muita rosa pelo quarteirão
Muita riqueza que você não tem mais não

3 -  Casa pré fabricada

(Marcelo Camelo)

abre os teus armários
eu estou a te esperar
para ver deitar o sol
sobre os teus braços castos.
cobre a culpa vã
até amanhã eu vou ficar
e fazer do teu sorriso um abrigo

canta que é no canto que eu vou chegar.
canta o teu encanto que é pra me encantar
canta para mim
qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
tristeza nunca mais
vale o meu pranto
que esse canto em solidão.
nessa espera o mundo gira em linhas tortas
abre essa janela
primavera quer entrar
pra fazer da nossa voz uma só nota

canto que é de canto que eu vou chegar
canto e toco um canto que é pra te encantar.
canto para mim qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
tristeza nunca mais…

4 -  Mal Intento

(Jorge Drexler)

mi canto no és más que un mal intento
de alejarte un instante
de mi pensamiento

pasan los meses
como pasa el rumor de un rio
cambian la estaciones
y no se me pasa el frio
sigo esperando
encontrar una manera
de acostumbrarme a esta casa
en la que nadíe me espera

si dejaras entrar un rayo de luz
y sintieras tán solo una vez
lo que yo siento
sabrias que

y fuimos por unos meses
dos ingredientes de una receta
fuimos dos flores distintas
en una misma maceta
y todo tiene su tiempo
tanto lo dulce como lo amargo
no hay pena ni gloria
que un dia no pase de largo

si dejaras entrar un rayo de luz
y sintieras tan solo una vez
lo que yo siento
sabrias que

5 -  Ciranda do Mundo

(Eduardo Krieger)

pela profecia o mundo ia se acabar
pelo vagabundo deixa mundo como está
pelo ser humano pelo cano o mundo vai, ou não
pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

ciranda por ti
ciranda por mim
roda na ciranda
que é pro não virar pro sim
ciranda que vai
ciranda que vem
roda na ciranda
que é pro mal virar pro bem

6 -  Minha Alma

(O Rappa / Marcelo Yuka)

a minha alma tá armada
e apontada para a cara do sossego
pois paz sem voz, paz sem voz
não é paz, é medo

às vezes eu falo com a vida
às vezes ela quem diz
qual a paz que eu não quero conservar
pra tentar ser feliz

as grades do condomínio
são pra trazer proteção
mas também trazem a dúvida
se é você que está nessa prisão
me abraça e me dê um beijo
faça um filho comigo
mas não me deixe sentar numa poltrona
num dia de domingo
procurando novas drogas de aluguel
nesse vídeo coagido
é pela paz que eu não quero seguir
admitindo

7 -  Sobre todas as coisas

(Edu Lobo / Chico Buarque)

pelo amor de Deus
não vê que isso é pecado
desprezar quem lhe quer bem
não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
abandonado
pelo amor de Deus

ao nosso senhor
pergunte se ele produziu nas trevas
o esplendor
se tudo foi criado
o macho, a fêmea, o bicho, a flor
criado pra adorar o criador
e se o criador
inventou a criatura, por favor
se do barro fez alguém com tanto amor
para amar Nosso Senhor

não, nosso senhor
não há de ter lançado em movimento
terra e céu
estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
pra circular em torno ao criador
ou será que o Deus que criou nosso desejo
é tão cruel
mostra os vales onde jorra o leite, o mel
e esses vales são de Deus

8 -   Sem Aviso

(Francisco Bosco / Fred Martins)

anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
seu corpo deslembrar

canta
vira a dor pelo avesso, canta
larga essa vida assim às tontas
Deixa esse desenganar

calma
dê o tempo ao tempo, calma
alma
põe cada coisa em seu lugar
e o dia virá, algum dia virá
sem aviso

então…

9 -   Muito Pouco

(Moska)

pronto
agora que voltou tudo ao normal
talvez você consiga ser menos rei
e um pouco mais real
esqueça
as horas nunca andam para trás
todo dia é dia de aprender um pouco
do muito que a vida trás

mas muito pra mim é tão pouco
e pouco é um pouco demais
viver tá me deixando louca
não sei mais do que sou capaz
gritando pra não ficar rouca
em guerra lutando por paz
muito pra mim é tão pouco
e pouco eu não quero (mais)

chega!
não me condene pelo seu penar
pesos e medidas não servem
pra ninguém poder nos comparar
por que
eu não pertenço ao mesmo lugar
em que você se afunda tão raso
não dá nem pra tentar te salvar

…veja
a qualidade está inferior
e não é a quantidade que faz
a estrutura de um grande amor
simplesmente seja
o que você julgar ser o melhor
mas lembre-se que tudo o que começa com muito
pode acabar muito pior

10 -  Feliz

(Dudu Falcão)

vem pra misturar juizo e carnaval
vem trair a solidão
vem pra separar o lado bom do mal
e acalmar meu coração

vem pra me tirar o escuro e a sensação
de que o inferno é por aqui
vem pra se arrumar na minha confusão
vem querendo ser feliz

11 -   Despedida

(Marcelo Camelo)

eu não sou daqui também marinheiro
mas eu venho de longe e ainda
do lado de trás da terra
além da missão cumprida
vim só dar
despedida

filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta de voltar
filho de sol poente
quando teima em passear
desce de sal nos olhos
doente da falta que sente do mar

vim só dar despedida
vim só dar despedida

Faixa Bônus:

Conta Outra

(Edu Tedeschi)

conta outra
nessa eu não caio mais
já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
corta essa
de querer me impressionar
coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

você jurou pra mim que foi doença
que te impediu de vir me encontrar
o mundo é bem menor do que ‘cê pensa
e ontem já vieram me falar
que você tava lá
no baile da comunidade
bebendo e se acabando de dançar
mas eu não caio do salto
não brigo, não falto com a minha verdade
sinceridade, sai que a fila tem que andar

depois de te deixar na geladeira
eu resolvi te dar colher de chá
é dura a tua cara de madeira
tão dura que bastou eu me virar
e você tava lá
jogando todo o teu feitiço
pra cima da mulherada lá do bar
mas eu não caio do salto
não brigo, não falto com a minha verdade
sinceridade, sai que a fila tem que andar…

Faixa “escondida”:

Mantra

(Rodrigo Maranhão e Pedro Luís)

A paixão é como Deus
Que quando quer
Me toma todo o pensamento

Dirige os meus movimentos
Meu passo é dela
Meu pulso é desse todo poderoso sentimento

CD  “SAMBA MEU” -  Setembro de 2007

1 -  Samba Meu

(Rodrigo Bittencourt)

o meu samba vai curar teu abandono

o meu samba vai te acordar do sono

meu samba não quer ver você tão triste

meu samba vai curar a dor que existe

meu samba vai fazer ela dançar

é o samba certo pra você cantar

o meu samba é de vida e não de morte

o meu samba vem pra cá e traz a sorte

e celebra tudo o que é bonito

meu samba não despreza o esquisito

meu samba vai tocar no infinito

meu samba é de bossa e não de grito

o meu samba defendi com alegria,

deixe que a noite vadia vai saber lhe coroar

deixo entregue aos bambas de verdade

que estão nos morros da cidade

peço a bênção pra passar

2 – O Homem Falou

(Gonzaguinha)

pode chegar que a festa vai é começar agora

e é pra chegar quem quiser,

deixe a tristeza pra lá

e traga o seu coração, sua presença de irmão

nós precisamos de você nesse cordão

pode chegar que a casa é grande e é toda nossa

vamos limpar o salão, para um desfile melhor

vamos cuidar da harmonia, da nossa evolução

da unidade vai nascer a nova idade

da unidade vai nascer a novidade

e é pra chegar sabendo

que a gente tem o sol na mão

e o brilho das pessoas é bem maior

irá iluminar nossas manhãs

vamos levar o samba com união

no pique de uma escola campeã

não vamos deixar ninguém atrapalhar

a nossa passagem

não vamos deixar ninguém chegar com sacanagem

vambora que a hora é essa e vamos ganhar

não vamos deixar uns e outros melar

eô eô eá, que a festa vai apenas começar

eô eô eá, não vamos deixar ninguém dispersar

3 -  Maltratar,  Não é Direito

(Arlindo Cruz, Franco)

moço, maltratar não é direito

essa mágoa no meu peito

você sabe de onde vem

isso é desamor e não tem jeito

um amor quando desfeito

sempre faz alguém chorar

eu chorei

saudade tá doendo

e lá vem você querendo

outra vez me maltratar

um amor só é bom quando é pra dois

eterno é antes e depois

agora não vou mais me enganar

não quero mais sofrer, não dá

se o teu desejo era me ver

se deu vontade de saber

se estou feliz

até posso dizer que sim

o teu reinado acabou,

chegou ao fim

eu não nasci pra você,

nem você pra mim

4 -  Num Corpo Só

(Arlindo Cruz, Picolé)

eu tentei,

mas não deu pra ficar

sem você

enjoei de tentar

me cansei de querer encontrar

um amor pra assumir teu lugar

é muito pouco,

vem alegrar o meu mundo que anda vazio

me deixa louca

é só beijar tua boca

que eu me arrepio, arrepio, arrepio

e o pior

é que você não sabe que eu sempre te amei

pra falar a verdade eu também nem sei

quantas vezes sonhei

juntar teu corpo, meu corpo

num corpo só

vem!

se estiver acompanhado, esquece e vem

se tiver hora marcada,

esquece e vem

venha ver a madrugada e o sol que vem

que uma noite não é nada

meu bem, vem!

5 -  Cria

(Serginho Meriti, Cesar Belieny)

crescendo foi ganhando espaço

pulou do meu braço

nasceu outro dia

já quer ir pro chão

já fala mãe, já fala pai

já não suja na cama,

não quer mais chupeta, já come feijão

e posso até ver os meus traços

nos primeiros passos

tropeça, seguro, e não deixo cair

se cai, levanta,

continua a porta da rua fechada

a criança não deixo sair

da linha, da linha

reflexo no espelho, levo a emoção

a lágrima ameaça do olho cair

semente fecundou,

já começa a existir

é cria, criatura e criador

cuida de quem me cuidou

pega na minha mão

me guia

6 -  Tá Perdoado

(Franco, Arlindo Cruz)

defumei o corredor,

perfumei o elevador

pra tirar de vez o mau olhado

a saudade me esquentou

consertei o ventilador

pro teu corpo não ficar suado

nessa onda de calor

eu até peguei uma cor

tô com o corpo todo bronzeado

seja do jeito que for

eu te juro meu amor

se quiser voltar, tá perdoado

fui a pé a salvador

de joelho ao redentor

pra ver nosso amor abençoado

nosso lar se enfeitou

a esperança germinou

ah, tem muita flor

pra todo lado

pra curar a minha dor

procurei um bom doutor

me mandou beijar teu beijo

mais molhado

seja do jeito que for

eu te juro, meu amor,

se quiser voltar, tá perdoado

e se voltar te dou café

preliminar com cafuné

pra deixar teu dia mais gostoso

pode almoçar o que quiser,

e repetir,

te dou colher

faz daquele jeito carinhoso

deixa pintar o entardecer

e o sol brincar de se esconder

tarde e chuva

eu fico mais fogosa

e vai ficando pro jantar

tu vai ver só,

pode esperar

que a noite será maravilhosa

7 -  Pra Declarar Minha  Saudade

(Jr. Dom, Arlindo Cruz)

fiz uma canção

pra declarar minha saudade

do tempo em que a alegria dominou

meu coração

eu era bem feliz

mas desabou a tempestade

levando um lindo sonho

pelas águas da desilusão

eu fiz uma canção

pra declarar minha saudade

usei sinceridade que me dá

certeza que você

quando ouvir o meu cantar

vai se lembrar que deixou

do lado esquerdo do meu peito

essa dor

que tá difícil de curar

tenho certeza que você

de onde ouvir

meu soluçar em forma

de uma canção

vai se lembrar

que o nosso amor é tão bom

e que pra sempre vai durar

8 -  O que é o Amor

(Arlindo Cruz, Maurição, Fred Camacho)

se perguntar o que é o amor pra mim

não sei responder

não sei explicar

mas sei que o amor nasceu dentro de mim

me fez renascer

me fez despertar

me disseram uma vez

que o danado do amor pode ser fatal

dor sem ter remédio pra curar

me disseram também

que o amor faz bem

e que vence o mal

e até hoje ninguém conseguiu definir

o que é o amor

quando a gente ama brilha mais que o sol

é muita luz

é emoção

(o amor)

quando a gente ama é o clarão do luar

que vem abençoar o nosso amor

9 -  Trajetória

(Arlindo Cruz, Serginho Meriti, Franco)

não perca tempo assim contando história

pra que forçar tanto a memória

pra dizer

a triste hora do fim se faz notória

e continuar a trajetória

é retroceder

não há no mundo lei

que possa condenar

alguém que a um outro alguém

deixou de amar

eu já me preparei

parei para pensar

e vi que é bem melhor não perguntar

por que é que tem que ser assim?

ninguém jamais pôde mudar

recebe menos quem mais tem pra dar

e agora queira dar licença

que eu já vou

deixa assim, por favor

não ligue se acaso o meu pranto rolar

tudo bem

me deseje só felicidade

vamos manter a amizade

mas não me queira só por pena

nem me crie mais problemas

10 -  Mente ao Meu Coração

(F. Malfitano)

mente ao meu coração

que cansado de sofrer

só deseja adormecer

na palma da tua mão

conta ao meu coração

história das crianças

para que ele reviva

as velhas esperanças

mente ao meu coração

mentiras cor-de-rosa

que as mentiras de amor

não deixam cicatrizes

e tu és a mentira mais gostosa

de todas as mentiras que tu dizes

11 -  Novo Amor

(Edu Krieger)

a luz apaga porque já raiou o dia

e a fantasia vai voltar pro barracão

outra ilusão desaparece quarta-feira

queira ou não queira terminou o carnaval

mas não faz mal, não é o fim da batucada

e a madrugada vem trazer meu novo amor

bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro

come o couro no terreiro

porque o choro começou

a gente ri

a gente chora

e joga fora o que passou

a gente ri

a gente chora

e comemora o novo amor

12 -  Maria do Socorro

(Edu Krieger)

maria do socorro

suas pernas torneadas

pelas ladeiras do morro

ela vai pro baile funk

de shortinho, top e gorro

é afim do zé galinha

mas namora o zé cachorro

e no baile

só dá ela, só dá ela

já foi miss comunidade

na favela

hoje sonha

em morar n’outro lugar

mas zé cachorro não deixa

a gata se queixa

mas fica por lá

13 -  Corpitcho

(Ronaldo Barcellos, Picolé)

juro que tentei mudar

para algum lugar longe daqui

pra quixeramobim, paraty, paquetá

niquiti, guarujá, magé

jericoacoara

mas eu resolvi voltar

não adiantou nada fugir

o mundo é que mudou

o mal globalizou

o bicho tá pegando

e é a guerra das desigualdades

a humanidade lavando a roupa

oportunidade não cruza o rebouças

é muito louca a vida por aqui

fim de semana eu viro batuqueira

pego o meu pandeiro

vou pra madureira

pro meu glorioso império serrano

que vai ganhar e subir esse ano

pra manter esse corpitcho bacana

acho até que vou virar marombeira

corro o calçadão de copacabana

de segunda a sexta-feira

14 -  Casa de Noca

(Serginho Meriti, Nei Jota Carlos, Elson do Pagode)

o couro comeu na casa de noca, nêgo

não teve jeito

na casa de noca, quando o couro come,

é sinal que a dona quer respeito

tem nego pensando que a casa de noca

é farra, é fofoca

é canjerê

que é só ir chegando,

entrando e pegando

levando na marra a primeira que vê

ah, nêgo!

mexeu com fogo

deu uma de bobo,

e bobo não pode beber

da água que jorra da fonte

não fale, não conte,

pois ele não vai entender

pisou na entrada e na saída

e nessa vida tem que ter molejo,

jogo de corpo, uma boa visão

tem que ser maleável,

olha lá meu irmão

bote a bola no chão

CD  “PERFIL”  -  Setembro 2009

O CD PERFIL reúne canções dos 3 CD’s: “MARIA RITA”, “SEGUNDO” e “SAMBA MEU”)

CD  “ELO”  -  Setembro de 2011

1 – Conceição Dos Coqueiros

(Lula Queiroga/Alexandre Bicudo/Lulu Oliveira)

Ia dessa maneira
Subindo o morro bem devagar
Boca da alma cantando
Senhora dos coqueiros
Chego mais perto e me ilumino
Eu que já vim de tão longe
Daqui se vê o mar
Também se vê a dor e o mal
Gente que reza e sofre tanto
Leva ao ouvido de deus
O meu lamento
Por nós

Chuva derrete o gesso
Ó, Conceição estende o manto
Vira do avesso esse canto
Desce dessa janela
Venha soprar vela por vela
Sopre de novo esperança
Vem cá
Vem desabençoar
Essa tristeza intrusa
Faz a ciranda na ladeira
Sopra no ouvido de deus
Esse lamento

2 – Santana

(Junio Barreto/João Araújo)

A santa de Santana chorou sangue

Chorou sangue,
Chorou sangue, era tinta vermelha
A nossa santa padroeira chorou sangue
Chorou sangue
Chorou sangue, era Deus e beleza,
Despego meu;
Quem girou a moenda partiu,
Na pressa o rosário quebrou,
Chorou, ah, chorou,
Louveira santa, desata o apuro
Leve etanto, sempre sido só
Tange solto, quebrado, quebrado
Claro Carmo, nossa sede, obá.
Madeira oca estende o apulso
Capela sertana, sementeiro
Lajedo molhado, pisado, pisado
Claro Carmo, nossa sede, obá, ô
Nossa sede, obá, ô
Nossa sede, obá

3 – Perfeitamente

(Fred Martins/Francisco Bosco)

Entra e sai
e volta e vem e vai
Surge e some
agora não quer mais

Eu jurei parar
cortar eu sei que amanhã
vai embora e eu ficarei pra trás

Não diz nada eu digo mesmo assim
se contém, e eu já não caibo em mim

Eu jurei eu sei perfeitamente que é o mal
que me faço e faço até o fim
Eu que to sem chão no alto da gangorra
Eu jurei mas sei que já não juro nada
Eu já não tenho quem me socorra
Já não é minha a minha palavra

Eu me rendo outra vez e o declaro
outra vez você me amou por um segundo
Agora o céu vai ficando claro
você me esquece e eu me afundo

4 – Coração a Batucar

(Davi Moraes/Alvinho Lancellotti)

Batuque o coração para me ver chegar
Que eu abro meu cordão quando você passar
E o nosso bloco sobe a ladeira da ilusão
De pé no chão…

Batuque o coração que a gente é carnaval!
E nada irá conter essa folia
Atrás do nosso amor
Até quando esse samba tocar
Vem marcando em nosso peito
Coração a Batucar

Pra gente ser feliz
Pra gente desfilar por essa vida

5 – Menino do Rio

(Caetano Veloso)

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te…

Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto prá Deus
Proteger-te…

O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo…

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção
Como um beijo…

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te…

Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto prá Deus
Proteger-te…

O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo…

6 – Pra Matar Meu Coração

(Daniel Jobim/Pedro Baby)

Olha quem chegou pra matar meu coração
Que não imaginou sair do chão
Que hipnotizou, me lançou o seu olhar…
Fez tudo pra matar meu coração
Não acreditou, não me ligou e foi sambar

Diga espelho meu
Porque que eu não sei sambar?
Diga espelho meu
Porque que eu não sei sambar?

7 – A História de Lily Braun

(Edu Lobo/Chico Buarque)
1982
Para o balé O grande circo místico

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilingüindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

8 – Nem Um Dia

(Djavan)

Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide (bis)

Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris(bis)

Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris(bis)

9 – A Outra

(Marcelo Camelo)

Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser a última a saber de ti
Se todo mundo sabe quem te faz
chegar mais tarde
Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim
se vale a pena, amor
A gente ria tanto desses nossos desencontros
Mas você passou do ponto
e agora eu já não sei mais…

Eu quero paz
Quero dançar com outro par
pra variar, amor
Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se desta vez
ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor
sangrar.

10 – Só de Você

(Rita Lee/Roberto de Carvalho)

Será que a gente ainda será
A velha estória de amor que sempre acaba bem, meu bem
Meio demodée para hoje em dia
Antigamente, tudo era bem mais chique

Porque a gente nem sabe porque
Mas acontece que eu nasci pra ser só de você
É claro que a sorte também ajudou
Ultimamente, um romance dura pouco

Cola, seu rosto no meu rosto
Enrola, seu corpo no meu corpo
Agora, está na hora de dançar…

FAIXA BÔNUS:

Coração em Desalinho

(Monarco/Ratinho)

Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh, Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor

Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão…

Tamanha desilusão
Me deste
Oh, Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal

Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor

Numa estrada!
Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh, Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor

Dei afeto!
Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão…

Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal

Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor…

CD (duplo) “REDESCOBRIR”  -  Setembro de 2011

1 – Imagem

(Luiz Eça/ Aloysio de Oliveira)

Ai que bom é ver vocês
E cada vez que eu volto é pra dizer
Que sem ter vocês
Sem ver vocês
Não sou ninguém

Canta que a vida passa
E se ela passa
Melhor cantar
É de vocês o meu cantar
É só pra vocês nosso cantar

Enquanto a nossa meta não for atingida
Continuamos gritando o nosso canto
Enquanto nossa música não voltar ao que é
Nós lutamos, faz escuro, mas nós cantamos
O amanhã tá breve
Vamos cantar logo, logo, o que é nosso
Porque mais que nunca
É preciso cantar o que é nosso

2 – Arrastão

(Edu Lobo/ Vinicius de Moraes)

Ih! Tem jangada no mar
Ei! Ei! Ei! Hoje tem arrastão
Eh! Todo mundo pescar
Chega de sombra e João, Jô, viu?

Olha o arrastão entrando no mar sem fim
Ê, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
Ê, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim

Minha Santa Bárbara, me abençoai
Quero me casar com Janaína

Ih! Puxa bem devagar
Ei! Ei! Ei! Já vem vindo o arrastão
Eh! É a rainha do mar
Vem, vem na rede, João, pra mim

Valha-me, Deus, Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais, se viu tanto peixe assim
Ê, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim

3 – Como Nossos Pais

(Belchior)

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa
Por isso, cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam, não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

Hoje eu sei
Que quem me deu a ideia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando o vil metal

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…

4 – Vida de Bailarina

(Américo Seixas/ Dorival Silva)

Quem descerrar a cortina
Da vida da bailarina
Há de ver cheio de horror
Que no fundo do seu peito
Abriga um sonho desfeito
Ou a desgraça de um amor
Os que compram o desejo
Pagando amor a varejo
Vão falando sem saber
Que ela é forçada a enganar
Não vivendo pra dançar
Mas dançando pra viver

5 – Bolero de Satã

(Guinga/ Paulo César Pinheiro)

Você penetrou como o sol da manhã
E em nós começou uma festa pagã
Você libertou em você a infernal cortesã
E em mim despertou esse amor
Atormentado e mal de Satã

Você me deixou como o fim da manhã
E em mim começou esse angústia, esse afã
Você me plantou a paixão imortal e malsã
Que se enraizou e será meu maldito final, amanhã

E agora me aperta a aflição
De chorar louco e só de manhã
É a seta do arco da noite
Sangrando-me agora
São lágrimas, sangue e veneno
Escorrendo do meu coração
Formando-me dentro esse pântano de solidão

6 – Águas de Março

(Antonio Carlos Jobim)

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o sol
É a noite, é a morte
É um laço, é o anzol
É peroba-do-campo
O nó da madeira
Caingá, candeia
É o matita-pereira
É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É um mistério profundo
É o queira ou não queira
É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga, é o vão
Festa da cumeeira
É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira
É o pé, é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira
É uma ave no céu
É uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão
É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto, um desgosto
É um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego
É uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto
É prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando
É a lenha, é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada
É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

É uma cobra, é um pau
É João, é José
É um espinho na mão
É um corte no pé

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã

São as águas de março
Fechando o verão
É promessa de vida
No teu coração

São as águas de março
Fechando o verão
É promessa de vida
No teu coração…

7 – Saudosa Maloca

(Adoniran Barbosa)

Se o sinhô não tá lembrado
Dá licença de contar
Ali onde agora está
Este adifício arto
Era uma casa veia
Um palacete assobradado
Foi ali, seu moço
Que eu, Mato Grosso
E o Joca
Construímo
Nossa maloca

Mas, um dia
Nóis nem pode
Se alembrá
Veio os home
Co as ferramenta
O dono mandô dirrubá

Peguemo tudo as nossas coisa
E fumo pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza
Que nóis sintia
Cada tauba que caía
Duía no coração

Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
“Os home tá co a razão
Nóis arranja outro lugá”

Só se conformemo
Quando o Joca falou:
“Deus dá o frio
Conforme o coberto”

E hoje nóis pega as paia
Nas grama dos jardim
E pra esquecer
Nóis cantemo assim

Saudosa maloca
Maloca querida
Qui dim donde nóis passemo
Dias filiz da nossa vida

8 – Agora Tá

(Tunai/ Sergio Natureza)

Já que tá aí
Pela metade, mas tá
Melhor cuidar
Pra peteca não cair
Pra não deixar escapulir
Como água no ralo
Aquilo que já fez calo
Doeu feito joanete
Castigou nosso cavalo
Cortou como canivete
Feriu, mexeu, mixou

Nunca comeu melado
Vai lambuzar
Se vacilar pode cantar pra subir
Porque não dá pra começar todo rolo de novo
Se o bolo ficar sem ovo
Se a massa não tem fermento
Se não cozinhar por dentro
Vai tudo por água abaixo

Eu acho, eu acho, acho que agora tá
Quase no ponto, tá
No ponto de provar
Eu acho que agora tá
No ponto de provar

Eu acho que agora tá
Pra lá de pronto, tá
Eu acho que agora tá
No ponto de provar
Eu acho que agora tá
No ponto de solar

Já que tá aí…

9 – Ladeira da Preguiça

(Gilberto Gil)

Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça

Preguiça que eu tive sempre de escrever para a família
E de mandar conta pra casa
Que esse mundo é uma maravilha
E pra saber se a menina
Já conta as estrelas e sabe a segunda cartilha
E pra saber se o menino
Já canta cantigas e já não bota mais a mão na braguilha

E pra falar do mundo falo uma besteira
Fomenteira é uma ilha
Onde se chega de barco, mãe

Que nem lá, na Ilha do Medo
Que nem lá, na Ilha do Frade
Que nem lá, na Ilha de Maré
Que nem lá, Salina das Margaridas

Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça
Essa ladeira, que ladeira é essa?
Essa é a Ladeira da Preguiça

Ela é de hoje
Ela é desde quando
Se amarrava cachorro com linguiça

10 – Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaquá)

(Baden Powell/ Paulo César Pinheiro)

Não venha querer se consolar
Que agora não dá mais pé
Nem nunca mais vai dar
Também, quem mandou se levantar?
Quem levantou pra sair
Perde o lugar

E agora, cadê teu novo amor?
Cadê, que ele nunca funcionou?
Cadê, que ele nada resolveu?

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
(Ainda sou mais eu)

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Todo mundo se admira da mancada que a Terezinha deu
Que deu no pira
E ficou sem nada ter de seu
Ela não quis levar fé
Na virada da maré
(Breque)
Mas que malandro sou eu
Pra ficar dando colher de chá
Se eu nem tive colher?
Vou deitar e rolar

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê, que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

O vento que venta aqui
É o mesmo que venta lá
E volta pro mandingueiro
A mandinga de quem mandingar

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

11 -  Querelas do Brasil

(Maurício Tapajós/ Aldir Blanc)

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil

Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobim akarore, Jobim-açu
Oh, oh, oh

Pererê, câmara, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil

Jereba, saci, caandrades
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, Arirariboia,
Na aura das mãos do Jobim-açu
Oh, oh, oh

Jererê, sarará, cururu, olerê
Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, S.O.S ao Brasil
Do Brasil, S.O.S ao Brasil
Do Brasil, S.O.S ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, olará
Cascadura, Água Santa, Acari, olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, olará

Do Brasil, S.O.S ao Brasil
Do Brasil, S.O.S ao Brasil

12 -  O bêbado e a Equilibrista

(João Bosco/ Aldir Blanc)

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua
Tal qual a dona de um bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

13 – Menino

(Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos)

Quem cala sobre teu corpo
Consente na tua morte
Talhada a ferro e fogo
Nas profundezas do corte
Que a bala riscou no peito

Quem cala, morre contigo
Mais morto que estás agora
Relógio no chão da praça
Batendo, avisando a hora
Que a raiva traçou
No incêndio repetindo
O brilho de teu cabelo
Quem grita, vive contigo

14 – Onze Fitas

(Fatima Guedes)

Por engano, vingança ou cortesia
Tava lá, morto e posto um desregrado
Onze tiros fizeram a avaria
E o morto já tava conformado

Onze tiros e não sei por que tantos
Esses tempos não tão pra ninharia
Não fosse a vez daquele, um outro ia

Deus o livre morrer assassinado
Pro seu santo não era um qualquer um
Três dias num terreno abandonado
Ostentando onze fitas de Ogum

Quantas vezes se leu só nesta semana
Essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima…

15 -  Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco)

(Armando Manzanero/ Paulo Coelho)

Quando caminho pela rua lado a lado com você
Me deixas louca
E quando escuto o som alegre do teu riso
Que me dá tanta alegria
Me deixas louca

Me deixas louca quando vejo mais um dia
Pouco a pouco entardecer
E chega a hora de ir pro quarto escutar
As coisas lindas que começas a dizer
Me deixas louca

Quando me pedes, por favor, que nossa lâmpada se apague
Me deixas louca
Quando transmites o calor de tuas mãos
Pro meu corpo que te espera
Me deixas louca

E quando sinto que teus braços se cruzaram em minhas costas
Desaparecem as palavras
Outros sons enchem o espaço
Você me abraça, a noite passa
E me deixas louca

16 – Tatuagem

(Chico Buarque/ Ruy Guerra)

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem pra seguir viagem quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava

Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina, salta e te ilumina quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, farta, murcha, morta de cansaço

Eu quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas, mas no fundo gostas quando a noite vem
Eu quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro, a fogo
Em carne viva
Corações de mãe, arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

17 – Essa Mulher

(Joyce/ Ana Terra)

De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece de pedir pelas mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim, feliz

De tardezinha, essa menina se namora
Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz

De madrugada, essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quantos homens enlouquecem
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz

Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro a toda hora
Num espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural

18 – Se Eu Quiser Falar Com Deus

(Gilberto Gil)

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós

Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão

Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

E se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar

Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

19 – Zazueira

(Jorge Ben Jor)

Citação: Brazilian Rhyme (Interlude 1) (Maurice White)

Ela vem chegando
E feliz vou esperando
A espera é difícil
Mas eu espero sambando

Menina bonita com céu azul
Ela é uma beleza
Menina bonita, você é demais
Alegria da minha tristeza

Zazueira, zazueira
Zazueira, zazueira

Ela vem chegando
E feliz vou esperando

A espera é difícil
Mas eu espero sambando

Uma flor é uma rosa
(E) Uma rosa é uma flor
É um amor essa menina
Essa menina é o meu amor

Zazueira, zazueira
Zazueira, zazueira

20 – Alô, Alô, Marciano

(Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si, todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atolar, Alá
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down no high society

Down, down, down
No high society

21 – Aprendendo a Jogar

(Guilherme Arantes)

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Água mole em pedra dura
Mais vale que dois voando
Se eu nascesse assim… pra lua
Não estaria trabalhando

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Mas em casa de ferreiro
Quem com ferro se fere é bobo
Cria fama, deita na cama
Quero ver o berreiro na hora do lobo

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar

Quem tem amigo cachorro
Quer sarna para se coçar
Em boca fechada não entra besouro
Macaco que muito pular quer dançar

Vivendo e aprendendo a jogar…

22 – Doce de Pimenta

(Rita Lee/ Roberto de Carvalho)

Cada um vive como pode
E eu não nasci pra sofrer
Cara feia pra mim é fome
E eu não faço manha pra comer

A vida é como uma escola
E a morte é um vestibular
No inferno eu entro sem cola
Mas o céu eu vou ter que descolar

Mas quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta

No fundo, eu sou otimista
Mas eu sempre penso o pior
Me cansa essa vida de artista
Mas cada vez o prazer é maior

E quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta

23 – Morro Velho

(Milton Nascimento)

No sertão da minha terra
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força
Parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro
E ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada

Filho de branco e do preto
Correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro
Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
Peixe bom dá no riacho
De água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada conta histórias pra moçada

Filho do sinhô vai embora
Tempo de estudo na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes
Deixando o companheiro na estação distante
“Não me esqueça, amigo, eu vou voltar”
Some longe o trenzinho ao deus-dará

Quando volta já é outro
Trouxe até sinhá-mocinha para apresentar
Linda como a luz da lua
Que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor
E agora na fazenda é quem vai mandar
E seu velho camarada já não brinca, mas trabalha

24 – O que foi feito devera (De vera) / Maria, Maria

(Milton Nascimento/ Fernando Brant)

O que foi feito, amigo
De tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida?
O que foi do amor?

Quisera encontrar
Aquele verso, menino, que escrevi
Há tantos anos atrás

Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será

E o que foi feito é preciso conhecer
Para melhor prosseguir

Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer

Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz

***
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

25 -  Fascinação (Fascination)

(F. D. Marchetti/ M. de Feraudy/ Armando Louzada)

Os sonhos mais lindos, sonhei
De quimeras mil, um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção
Com sofreguidão, mil venturas previ

O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria e entontece
És fascinação, amor

26 – Romaria

(Renato Teixeira)

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido
Em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira ou jiló
Dessa vida
Cumprida a sol

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

O meu pai foi peão
Minha mãe, solidão
Meus irmãos
Perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir de
Romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar
Meu olhar

Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

27 – Madalena

(Ivan Lins/ Ronaldo Monteiro de Souza)

Oh, Madalena
O meu peito percebeu
Que o mar é uma gota
Comparado ao pranto meu

Fique certa
Quando o nosso amor desperta
Logo o sol se desespera
E se esconde lá na serra

Eh, Madalena
O que é meu não se divide
Nem tampouco se admite
Quem do nosso amor duvide

Até a lua se arrisca num palpite
Que o nosso amor existe
Forte ou fraco, alegre ou triste

28 – Redescobrir

(Luiz Gonzaga Jr.)

Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como um animal que sabe da floresta
Redescobrir o sal que está na própria pele
Redescobrir o doce no lamber das línguas
Redescobrir o gosto e o sabor da festa

Vai o bicho-homem, fruto da semente
Renascer da própria força, própria luz e fé
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
Somos a semente, ato, mente e voz

Não tenha medo, meu menino povo
Tudo principia na própria pessoa
Vai como a criança que não teme o tempo
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor

Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Memória!
Macias!
Histórias!
Magia!

Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

CD  “CORAÇÃO A BATUCAR”  -  Março de 2014

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1 – Meu samba, sim, senhor
(Fred Camacho/ Marcelinho Moreira /Leandro Fab)
Mais uma vez
Aqui estou
Não vou negar
Eu vou representar com todo o meu amor
Cantando por aí
Levando a alegria pro meu povo
Não há nada que me faça mais feliz
É tão encantador
Meu samba, sim, senhor
Meu bloco “tá na rua”
É só felicidade
Paixão que me domina de verdade
A festa continua
Total cumplicidade
Longe de você me dá saudade
2 – Saco Cheio
(Almir Guineto)
Deus lhe pague
Deus lhe crie
Deus lhe abençoe
E Deus é vosso pai, é vosso guia
Tudo o que se faz na Terra
Se coloca Deus no meio
Deus já deve estar de saco cheio
Os habitantes da Terra estão abusando
Ao nosso supremo divino sobrecarregando
Fazendo mil besteiras
E o mal sem ter motivo
E só se lembram de Deus
Quando estão no perigo
3 – Fogo no Paiol
(Rodrigo Maranhão)
Eu quero navegar, quem sabe o tempo
Muda tudo de lugar?
Diz onde vai dar, me leva e para
De dizer que não repara quando eu pego pra cantar
Olha, eu cheguei de muito longe
Eu sou fogo no paiol
E todo dia, venha a qualquer hora
Pode até chover lá fora
No barraco ainda faz sol
4 – No meio do salão
(Magnu Sousá/ Maurílio de Oliveira/ Everson Souza)
Eu te trouxe pro samba
Para comigo dançar
Você se atreve
Dançar com outra por quê?
Se houver bate-boca
No meio do salão
Não quero que vá embora
Quero que fique pra ver
O que vai acontecer
Não sou de ficar melindrada
Mas hei de dizer
Comigo não tem malandragem
Já sabe por quê
Não sou de vendaval
Nem sofro por querer
Se o bicho pegar desta vez
Vai sobrar pra você
Agora vou ter que fingir
Pra não ter que te agredir
Querer me trair sem pensar na consequência
Quer me fazer de palhaça?
Eu já não quero nem graça
Da próxima vez e outra vez
Eu não quero falar
É você quem vai dançar
Eu não vou me arrepender
Do que vai acontecer
5 – Abismo
(Thiago Silva/ Lele/ Davi)
A sua voz é o silêncio
O seu olhar um abismo
Um medo de me encarar
De onde vem esse jeito?
Se eu não fiz nada contigo
Não sei por que me julgar
Posso dizer com certeza
Se esquivar é a contramão
O mundo não vai parar
Olhe dentro de si
Lave as mágoas do seu coração
Na dor
Não cabe a gente culpar ninguém
Sem ter motivos do nada…
Fazendo disso piada
Se for
Pra gente se entender, vai ver
Que a vida passa e acaba
E ficam marcas pisadas
Do mal que ainda me faz sem perceber
6 – Vai meu samba
(Noca da Portela/ Sergio Fonseca)
Vai, meu samba
Vai dizer à vida
Que a ferida
Não cicatrizou
E eu (ah, e eu)
Ainda estou naquela
Que a saudade dela
Me deixou
Vai, meu samba
Pelo amor de Deus
Diz que depois do adeus
É que eu fiquei assim
Vai, meu samba, vai
Deixa o sol bater
Só pro mundo ver
O que restou de mim
7 – Abre o peito e chora
(Serginho Meriti/ Rodrigo Leite/ Caíque)
Chora, abre o peito e chora
Você pode chorar, chorar, chorar, chorar, chorar
Chora, pois quem hoje chora
Amanhã vai cantar, laiá, laiá, laiá, laiá
E quem viver verá, verá, verá, verá, verá
Mentira! Quem foi que falou
Que um homem não pode chorar?
O choro é o banho da dor
É chuva pra alma lavar
E como se fosse um rio
É claro que vai desaguar
E como um pingo d’água
Num grande oceano será
Todo mal, toda mágoa do mundo
Pro fundo do mar
Pode chorar
Pode chorar
Se a lágrima não escorrer
O pranto não pode secar
Pode chorar
O choro é a voz do sofrer
Gemendo em silêncio
Gritando bem alto
Prum novo sorriso poder despertar
Pode chorar…
8 – Bola pra frente
(Xande de Pilares/ Bernini)
Dança nessa corda bamba
Sem cair!
Se não você descamba
Pra unir a corda e a caçamba
Percebi que o mundo é uma ciranda
Pra seguir com toda a sua crença
Insistir fazendo a diferença
Aplaudir!
Mas com sinceridade
Não fugir dessa realidade
Encarar a vida de frente
Mostrar pra essa gente
Vai ser diferente, vai melhorar
É bola pra frente
Depende da gente!
A nossa corrente não pode quebrar
Quem vive inseguro
Só anda no escuro
Não vê o futuro se aproximar
Acerta seu passo, vem nesse compasso
E manda o fracasso pra lá
Deixa clarear
Que a luz do dia vai brilhar
Quem tem fé, vai na fé
Acredita na vida
9 – Nunca se diz nunca
(Xande de Pilares/ Leandro Fab/ Charlles André)
Nunca vou falar que nunca vou correr atrás
Na verdade
Nunca é uma palavra ingrata demais
Por esse motivo
Eu sou sempre criticada
Na verdade, penso assim
Não tem por quê
Quem ri da palavra nunca
Não conhece o seu poder
Muitos cometeram o mesmo erro
Pra depois se arrepender
É melhor não duvidar
Nunca se diz nunca
Nunca não combina com amor
Nunca se nega um beijo
Nunca não é pra quem ama
Nunca se nega o desejo
Coração nunca se engana
10 – Rumo ao infinito
(Arlindo Cruz/ Marcelinho Moreira/ Fred Camacho)
Tenho tanto pra falar
Não deixe que o mau tempo venha pra desarrumar
Se a gente arrumou
Ninguém vai bagunçar
Vem cá, me dê um abraço
Vamos acalmar
A vida já mostrou
Não é pra duvidar
Isso é coisa de momento, eu sei que vai passar
Pois é
Nosso grande amor
Que (Se) balança mas não cai
Com fé
Já se superou
Rumo ao infinito vai
E por ser tão forte assim
Bem mais lindo que um jardim
Nada pode abalar
Teu sorriso é bom pra mim
Só eu sei te alegrar
Tá na hora da gente com jeito reconciliar
11 – Mainha me ensinou
(Arlindo Cruz/ Xande de Pilares)
Ainda me lembro com clareza
O que mainha me ensinou
A respeitar a natureza
Pela fartura sobre a mesa
Agradecer ao criador
Sempre andar no bom caminho
Tirar o espinho de uma flor
Pra dar e receber carinho
Pra não viver em desalinho
Só se entregar a um grande amor
Ah… Encontrei um amor assim
É tudo que sonhei pra mim
No amanhecer, eu e você
Quando entardecer, você e eu
O tempo já passou…
A gente nem notou… Anoiteceu
E deixa clarear que um anjo bom
Chegou pra completar nossa paixão
Felicidade minha
Hoje eu sou mainha
Mainha tem razão
12 – No mistério do samba
(Joyce Moreno)
Meu samba
Que bom que é poder mergulhar
No mistério do samba
Que manda, que é o dono da minha cabeça
E me ensina a viver
Nobreza
Pisando descalça os caminhos da mãe natureza
Beleza
Certeza de quem sempre encontra maneira
De sobreviver
É, povo bamba
Nasci pela graça de Deus
Num país que tem samba
E o samba
É o grande presente que a vida me ofereceu
Saudade
Eu juro, não tenho dos sonhos nem da mocidade
Verdade
Vontade
Eu vim porque tive vontade
E o desejo bateu
Agora
Licença, perdão, minha gente
Eu preciso ir embora
O samba mandou me chamar
E tá quase na hora
Da aurora… do samba.
13 – É corpo, é alma, é religião
(Arlindo Cruz/ Rogê/ Arlindo Neto)
Eu não nasci no samba
Mas o samba nasceu em mim
Quando eu pisei no terreiro
Ouvi o som do pandeiro
Me encantei com o tamborim
Noite que tem lua cheia
Meu coração incendeia
Bate mais forte na marcação
O povo sacode o pagode
Batendo na palma da mão
É corpo, é alma, é religião
Tanto faz se é Vila Isabel
Se é Padre Miguel
Império ou Formiga
Tanto faz se é Vila Matilde
Mocidade Alegre
Vai-Vai no Bexiga
Assim eu fico à vontade
Essa liberdade me faz delirar
Quer me fazer feliz
Me faz sambar

One Response to LETRAS

  1. Gilvanda Barbosa says:

    Olá!!! Adoro Maria Rita, sou cantora de bares e super fã, tenho algumas músicas em meu repertório e me sinto muito bem em cantar Maria Rita, parabéns pelos trabalhos. Sou de Jacareí,SP próximo a São José dos Campos onde ela estará no próximo dia 24/08 estou triste pois não será possível prestigiar seu novo trabalho. Um grande abraço!!! Gilvanda Barbosa

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